terça-feira, fevereiro 22, 2011

Meu coração sempre foi azul e branco




Acostumei-me a torcer pela Portela.Minha família era toda Portelense. Na verdade nunca fui na quadra, nunca desfilei na escola, nem decorei os sambas desde que uma dissidência dividiu entre Portela e Tradição os sambistas e agregados.

A mais forte lembrança que tenho vem dos tempos de adolescente quando a Portela desfilou na Avenida Atlântica em Copacabana com o enredo Lendas e Mistérios da Amazônia. Era o auge da popularidade da Escola e era até chique se dizer que torcia por ela. Só dez anos depois, com o enredo sobre o circo: Hoje tem Marmelada a Portela seria novamente campeã e eu assistiria o desfile novamente. Em 1984 foi a última vez que meu coração pulsou forte ao ver passar um mar de azul e branco na homenagem a Clara Nunes com o enredo Contos de Areia. Depois desse ano não lembro mais de ter me emocionado com a Portela.

Apesar disso, acompanhava a apuração do desfile e dizia que torcia pela Portela, afinal não podia virar casaca assim de uma hora pra outra sem um motivo, sem uma outra escola que ganhasse minha emoção.

Acontece que o tempo passa e a vida não cansa de nos surpreender a cada instante. Envolvida por um chamado para escrever a letra de um samba que pudesse concorrer na Beija Flor de Nilópolis, quando percebi estava no palco da quadra com a minha parceira que é componente da bateria. Foram momentos inesquecíveis e nunca antes imaginados.
Não posso explicar o que aconteceu comigo a partir daí. Paixão não se explica a não ser pela própria essência arrebatadora da paixão. E eu me apaixonei.

Apaixonei-me pelo som da bateria, pela comunidade presente na quadra, pelo trabalho que vi começar e agora estou vendo chegar ao final. Nosso samba não passou dos dez finalistas, mas meu coração mudou de rumo, começou a sambar na batida acelerada, minha emoção virou lágrimas molhando a quadra e me sinto rendida, completamente invadida e irremediavelmente nilopolitana.

A menos de 20 dias do desfile, o meu envolvimento foi ao barracão, viu a escola montar inteira dentro da quadra para um de seus últimos ensaios, foi ao primeiro ensaio técnico na Marques de Sapucaí, tem o samba sobre o Roberto Carlos na ponta da língua e sente uma imensa ansiedade e vontade de ser campeã.

Pois é amigos, sou Beija Flor de Nilópolis. Virei casaca. Vou desfilar na Harmonia esse ano. Nunca mais saio de lá. Troquei de grito de guerra. Mas uma coisa é fundamental em toda essa história:
_ Meu coração sempre foi Azul e Branco!

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