Quando as luzes da cidade acenderam
Percebi o quanto tinha percorrido o mesmo caminho
Não sentia mais o cheiro das ondas encrespadas do mar
Não ouvia mais o burburinho agitado das pessoas
Havia passado tantas vezes nessa mesma rua
Sabia de cor as esquinas e encruzilhadas
Os olhos espelhando repetidamente essa paisagem...
E por mais que a vida corresse
Não havia saído do mesmo lugar.
Quando as luzes da cidade acenderam
Meus pensamentos teimosos viraram lembrança
Minha saudade deixou de te visitar sem ser convidada
A fotografia amarelou naquele antigo porta-retrato
Parei de perseguir em todos o teu perfume
Cicatrizei as feridas da min’alma
Aventurei por outros braços imaginários...
E por mais que o amor resistisse
Não se deixava mais reconhecer.
Quando as luzes da cidade acenderam
A lua apareceu para brindar o desconhecido
Os corpos levitaram numa dança sem igual
Sem demora fui buscar o que me foi roubado
Sem medo fui resgatar o que me foi negado
Sem decência fui olhar o que havia sobrado
Desbravando o território abandonado...
E por mais que a vontade quisesse
Não te encontrei em nenhum lugar.
By Inez Sodré - 24/02/2011
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