
Hoje foi um domingo dedicado aos pais....e me peguei lembrando do meu e de quanto nos desencontramos na vida.
Meu pai foi pai solteiro. Na verdade acho que só bem mais tarde conseguiu assumir que era pai. Isso nos distanciou a vida inteira. Minha mãe foi embora e fiquei com minha avó paterna. Fui me reconciliar de coração com ele nos seus últimos dias de vida. Foram 21 dias de CTI, depois de um tombo bobo em que ele bateu com a cabeça e nunca mais acordou. Naquela cama de hospital, sozinha com ele, passei nossa relação a limpo e consegui perdoar o tanto que não o tive na minha vida.
Mas em compensação tive um tio-pai. A quem amei demais, por quem chorei muito quando se foi e de quem sinto uma profunda falta até hoje. Foi nele que pensei nesse domingo. Meu tio Macahyba, marido da irmã do meu pai e pai de meus dois primos. Ele sempre quis uma filha, eu todo o tempo queria um pai. E assim fomos construindo uma relação de cumplicidade, amor e recompensas.
Todas as minhas lembranças infantis de vida familiar no sentido de pai e mãe são as que vivi com meus tios. Viagens, almoços aos domingos, passeios e até brigas. Não posso me queixar que não fui amada. Talvez não tivesse sido pelas pessoas certas, por aquelas que me geraram...mas fui por aquelas que me escolheram.
Isso fez nascer uma ligação muito forte com meus primos. Uma ligação de irmãos. E no dia de hoje, quando sei que eles elevaram o coração em oração pelo pai deles, eu fiz o mesmo por esse pai substituto e tão amado.
Como espírita sei que certamente sua alma ja reencarnou, mas confesso que hoje senti sua presença ao meu lado, como uma mão que afaga, um braço que protege, um colo que embala....a mim....sua sobrinha-filha tão querida.
Foto: Tios Eny e Macahyba com meus dois filhos.
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