quarta-feira, agosto 09, 2006

Música, um estado de espírito!


Hoje estava pensando, motivada por vários comentários feitos por amigos essa semana, especialmente pelo Edu, sobre a música que permeou os anos 60/70/80.

Era ainda bem criança quando a bossa nova estourou...tenho vagas lembranças de ouvir discos de vinil de João Gilberto, Nara Leão e a turminha que elevou ao status de canção universal o ritmo gostoso da bossa nova.

Também era menina, quando Roberto, Erasmo e Wanderléia surgiram com a Jovem Guarda. Nessa fase já participei mais....ganhei saia calhambeque, vi alguns filmes, tais como, Roberto Carlos em ritmo de aventura. Ganhei um concurso na escola imitando Martinha com a sua voz fanhosa....e suspirava embalada pelo amor ao primeiro ídolo: Roniee Von, O Pequeno Príncipe....rsrs

Mas foi na adolescência que os ritmos e sons entraram na minha vida. Era uma época fervilhante em termos musicais. Surgiram os grandes festivais e neles foram descobertos talentos indiscutíveis. Chico Buarque, Raul Seixas, Ivan Lins, Elis Regina e Jair Rodrigues e tantos outros. Fui a dois desses festivais no Maracanãzinho...num deles foi lançada a música: A Banda...Quanto tempo se passou desde então...

Foi também nessa época que surgiram os novos bahianos...que iriam com sua irreverência e musicalidade, modificar o estilo de música, o vestuário, a maneira de se comportar dos jovens. Gal, Caetano, Betânia entre outros eram o símbolo da resistência ao período de ditadura.

Vieram, então, os ícones internacionais da uma fase do paz e amor, uma fase em que nos dizíamos hippies. Janes Joplin e Jimi Hendrix eram meus ídolos. O Vinil do Festival de Woodstock tocava sem parar na minha vitrola Philips...rs

Depois foi a vez das discotecas. Ritmos dançantes que levavam centenas de jovens as casas noturnas que faziam um sucesso estrondoso e meteórico em todas as regiões do país. Eu particularmente, me lembro da Papagaio na Lagoa, ao Lado do Drive in...a última vez que fui lá estava grávida de nove meses do meu filho mais velho.

Com essa fertilidade musical não poderiam deixar de surgir os ícones bregas com suas canções que foram tão repetidas que se tornaram imortais: Wando, Waldick Soriano, Odair José, Sidney Magal...mas faz parte de toda fase musical canções de apelo popular e não se pode negar que ainda hoje são executadas e cantadas por quem viveu aquela época. .
Na leva de gente boa surgiram: Lulu Santos, Tim Maia, Marina Lima, Rita Lee. Eu ficaria aqui horas lembrando e citando nomes...

Mais recentemente entramos na era do samba, valorizou-se o que antes era marginalizado. Muita gente boa surgiu e muitos saíram do anonimato apesar de já terem anos de estrada na música. Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha, Beth Carvalho, Jorge Aragão, entre outros.

Pois é...essa semana estive pensando. Meus amigos mais jovens deveriam aprender um pouco que música não se limita a um modismo...a uma fase...a uma época. Música é tudo aquilo que te toca o coração e que te impele a soltar o corpo, a voz, ou apenas te faz relaxar.

Se antes tinham os novos bahianos, hoje se ouve o Axé
Se antes tinha a discoteca, hoje tem as boates com música eletrônica
Se antes tinha o brega, hoje tem o funk
Se antes tinha o samba, hoje tem o pagode

E por aí vai...então porque não deixar o preconceito de lado e dançar muito ao som das músicas que tocam nas festas dos anos 60/70/80? Garanto que vai ter muito jovem descobrindo que sabem de cor uma música tocada antes mesmo de terem nascido. Não foi a toa que outro dia abri a porta do quarto do meu filho e ele tocava no cavaquinho: Do You Want a Dance!

Um comentário:

Luly disse...

Música é tudo, mesmo! Cada recordação tem um trilha sonora, cada pessoa lembra uma música, cada pedaço de passado pode ser cantado!
Adorei seu texto.
Bjs,
Luly.