
Deixei a poeira abaixar para vir aqui escrever sobre algo bem doloroso que me aconteceu essa semana.
Meu filho passou por um assalto, que por suas características, foi tremendamente traumatizante.
Meu filho passou por um assalto, que por suas características, foi tremendamente traumatizante.
Ter uma arma apontada para ele, entregar a carteira com todos seus documentos, cartão de pagamento, vale transporte e também dois celulares, um dele e outro da empresa é uma experiência que por si só é terrível.
Agora ser assaltado por uma pessoa conhecida, que até momentos atrás estava bebendo e se divertindo com ele, chamando de amigo e camarada é imperdoável. Drogas, bebida, falta de valores morais? O motivo não importa.
Ele reagiu. A princípio não acreditou no que estava acontecendo. Depois acho que a indignação e a raiva fizeram com que não pensasse que a covardia de alguém armado está acima de todos os padrões de civilidade, respeito e humanidade. Uma força superior, a que chamo Deus, colocou a mão na frente e nada físico aconteceu. Mas com certeza sua crença na palavra amigo sofreu um abalo nessa noite. Quando penso que por uma fração de segundos o que mais amo poderia me ter sido tirado...
Ficou sozinho, sem dinheiro, sem os pertences, longe de casa...mas como nem tudo está perdido no caos violento do Rio de Janeiro, um motorista de táxi acabou trazendo ele pra casa. Pra mim e para o carinho tão necessário numa hora dessa.
Chegou em estado de choque, mas ileso. Hoje, passados três dias a vida já voltou ao normal e trouxe para nós dois um doloroso aprendizado. Para ele fica a lição de que nem todos na noite e no nosso convívio são amigos, para mim que quem disse que "Filhos criados, trabalho dobrado" tinha uma infinita razão.
E fica marcada também a inversão de valores nesses dias que vivemos. Peguei-me pensando e quase agradecendo ao ladrão por só ter roubado e não atirado. Como se apropriar do que nos pertence fosse uma coisa perdoável...
Nesses três dias um pensamento toma forma, corpo e certeza: Não quero mais viver aqui. Preciso encontrar um caminho que nos leve a algum lugar onde viver não seja apenas passar os dias rezando para que no dia seguinte estejamos vivos. Tenho medo de onde trabalho, tenho medo de onde moro, tenho medo quando meu filho está na rua.....e isso, definitivamente, não é viver! É sobreviver...a cada dia. Não quero mais isso para nós!
Um comentário:
Inez, sinto muito por isso tudo. Mas uma coisa posso te dizer: qualquer lugar está assim. Sei porque a maior parte da minha família mora em um lugar com umas 6 mil pessoas apenas e há pouco tempo minha irmã teve o escritório assaltado. Já tivemos na cidade até três roubos de carro por noite. A violência é generalizada, infelizmente.
Não quero te dizer com isso que vc nunca vai ter paz, mas que acontece com qualquer pessoa, em qualquer lugar.
Luly.
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