
Hoje não tenho vontade de escrever. Acabei de desligar a tv, onde cobriram o enterro do jovem músico assassinado ontem no Rio.
A dor da família, dos amigos, dos fãs e a perplexidade de toda a população dessa cidade que um dia foi maravilhosa.
Eu confesso que não aguento mais. Desisti de acreditar que tem cura o mal que destrói essa cidade. Já não procuro culpados, só quero sair daqui para não mais voltar. Tantos são os sociólogos, os pesquisadores, os ongeiros, os defensores dos direitos humanos que estudam a causa dessa violência e nada se faz de concreto para que se modifique a base, o alicerce dessa erva que cresce por toda a cidade. Já não existe mais no Rio de Janeiro nenhum local que se possa dizer ser seguro. Os muros dos condomínios não protegem mais, a polícia despreparada e inflitrada de elementos corrompidos não protege mais, os governos que lavam as mãos não protegem mais....e eu penso: Existe ainda algo que se possa fazer para salvar essa cidade?
É doloroso demais tomar consciência da fragilidade da vida diante de tanta violência. É chocante imaginar que não só Rodrigo Netto, mas outros jovens anônimos ontem provavelmente perderam a vida vitímas de um lado ou de outro dessa guerra que poderiamos chamar de social ou de civil.....é mais doloroso ainda lembrar que por causa de armas roubadas do exército a minha cidade viveu momentos de paz com as forças armadas na rua. Afinal os bandidos tem medo de alguma coisa e penso que se houvesse vontade política e força popular talvez a solução estivesse debaixo do nosso nariz.
Mas não quero mais saber o que pode ser feito, só quero ir embora daqui. Podem chamar de covardia, eu chamo de sobrevivência....quero sair e tirar meus filhos daqui.
Hoje estou triste, descrente, talvez por isso minhas palavras soem, até mesmo aos meus ouvidos, tão desesperadas e desesperançadas, mas eu preciso falar para que o meu peito não sufoque de tanta revolta e de tanto medo.
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