
Hoje no supermercado havia um homem invisível.
De roupas rasgadas, completamente sujo, descalço, e olhar distante. Lá ia ele por entre tantas pessoas nas suas roupas de domingo. Os seguranças não o viram, como se ele estivesse num plano onde não pudesse ser visto.
Dirigiu-se ao banheiro balbuciando palavras que ninguém ouvia. Quando saiu, ainda ficou parado uns segundos como se não acreditasse que não iam expulsa-lo daquele ambiente refrigerado e limpo. Riu, seu riso de louco e seguiu adiante.
Entrou no mercado, ia zigezageando entre os corredores, como criança sem responsabilidade, brincava com as mercadorias....e ninguém olhava pra ele.
Entrou no mercado, ia zigezageando entre os corredores, como criança sem responsabilidade, brincava com as mercadorias....e ninguém olhava pra ele.
Finalmente, cansou-se. Pegou um pacote de balas....largou por um instante a calça que segurava para não cair e enfiou a mercadoria dentro dela. Saiu do mesmo modo que havia entrado....sem que ninguém o visse.
Como será que esse homem ficou invisível assim? Que tipo de problemas teve?
Em que etapa da sua vida ele virou um fantasma?
Ninguém o notou, afinal ele não era mais um ser humano. Ele não era um homem produtivo. Ele não era alguém que se devesse notar. Ele não era nem mesmo uma ameaça a sociedade para ser detido por seguranças.
E pensei....um dia nasceu, teve quem o cuidasse. Um dia foi adolescente, talvez com uma família. Um dia, quem sabe trabalhou, amou, foi a vida de alguém. Mas hoje, não passa de uma sombra. Maltrapilho, mau cheiroso e incomodando tanto a consciência das pessoas, que passou a não ser nada.
Sai do mercado, olhei para os lados, mas não o vi mais. Ele sumiu sem deixar rastro e levou consigo sua história e seu destino.
Que mundo individualista esse que vivemos!!!
Um comentário:
Amada...
Será que não é bom
ser fantasma?
beijos!!!
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