domingo, junho 11, 2006

Invisibilidade


Hoje no supermercado havia um homem invisível.

De roupas rasgadas, completamente sujo, descalço, e olhar distante. Lá ia ele por entre tantas pessoas nas suas roupas de domingo. Os seguranças não o viram, como se ele estivesse num plano onde não pudesse ser visto.

Dirigiu-se ao banheiro balbuciando palavras que ninguém ouvia. Quando saiu, ainda ficou parado uns segundos como se não acreditasse que não iam expulsa-lo daquele ambiente refrigerado e limpo. Riu, seu riso de louco e seguiu adiante.

Entrou no mercado, ia zigezageando entre os corredores, como criança sem responsabilidade, brincava com as mercadorias....e ninguém olhava pra ele.

Finalmente, cansou-se. Pegou um pacote de balas....largou por um instante a calça que segurava para não cair e enfiou a mercadoria dentro dela. Saiu do mesmo modo que havia entrado....sem que ninguém o visse.

Como será que esse homem ficou invisível assim? Que tipo de problemas teve?
Em que etapa da sua vida ele virou um fantasma?

Ninguém o notou, afinal ele não era mais um ser humano. Ele não era um homem produtivo. Ele não era alguém que se devesse notar. Ele não era nem mesmo uma ameaça a sociedade para ser detido por seguranças.

E pensei....um dia nasceu, teve quem o cuidasse. Um dia foi adolescente, talvez com uma família. Um dia, quem sabe trabalhou, amou, foi a vida de alguém. Mas hoje, não passa de uma sombra. Maltrapilho, mau cheiroso e incomodando tanto a consciência das pessoas, que passou a não ser nada.

Sai do mercado, olhei para os lados, mas não o vi mais. Ele sumiu sem deixar rastro e levou consigo sua história e seu destino.

Que mundo individualista esse que vivemos!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Amada...
Será que não é bom
ser fantasma?
beijos!!!