
Todos as noites ela pensava nele. Sua rotina era quebrada pela lembrança, pela saudade...
Inevitavelmente ligava o som, acendia um cigarro, e deitava na cama. Deixava que seus pensamentos tomassem conta da realidade em que vivia. Por vezes suas mãos passeavam em seu corpo, quase numa carícia, que ela teimava em acreditar que fosse dele.
A fumaça do cigarro fazia desenhos no ar, ela acompanhava com o olhar e imaginava o que ele estaria fazendo naquele mesmo momento. Ao fundo ouvia Épica.Seus lábios se entreabriam e ela dizia seu nome, chamava por ele, ansiava por sua presença.
Quantas vezes ela fez amor com a sua imagem, com a sua fantasia...O desejo que ela sentia podia ser materializado...Num suspiro ela fechava seus olhos e sorria. Não era uma lembrança triste, era uma lembrança que precisava preencher o vazio da urgência de ter esse homem que morava na parte mais íntima, mais secreta, mais inexplorada. Tocava-se pra ele, se amava por ele...
E depois cansada, tendo o silêncio por companhia, ela dormia...Descansava do trabalho do dia a dia, das vozes familiares ao redor, do micro companheiro, da casa, dos filhos. Só não se libertava dele, pois em seus sonhos era ele quem lhe aparecia. E vinha manso, sorrindo, brincando, para saciar sua fome, matar sua saudade, aplacar o sentimento de ausência.
Todos os dias ela acordava com ele. Para a sua rotina ela voltava. Até o chegar da noite, que trazia seus pensamentos, seu fantasma, seu amor...
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