
Fui criada sem mãe pela minha avó paterna. Dela herdei três coisas: o nome, meu gênio forte e essa incrível capacidade de me reerguer depois de cada porrada que a vida me dá.
Mulher corajosa, descendente direta de portugueses, semi-analfabeta e que não passou simplesmente pela vida, viveu! Tanto revés precisou enfrentar, tanta luta para sobreviver ela travou.
Casou-se aos 15 anos. A custa de muito trabalho, junto ao marido, enriqueceu. Conviveu com as seguidas traições dele, criou dois filhos e uma sobrinha. Viu a pobreza chegar rapidamente, enfrentou a tentativa de suicídio do marido, virou o homem da casa, cuidou do seu homem doente sem nunca reclamar e finalmente ganhou a neta como obrigação além de amor.
Não tínhamos uma convivência muito pacífica, eu e ela, mas tanto valor dou, agora, a tudo que aprendi com ela...E sei também que muitas das guerras que travamos não tinham a ver com a diferença de gerações e sim com a igualdade de personalidade e jeito de ser e ver o mundo.
Duas mulheres indomadas, mais fortes que seus homens, com uma sede enorme de liberdade e principalmente com uma garra e um grande apego à vida.
Por tudo isso é que hoje acordei pensando nela e dedico esse post a sua memória. Gostaria de poder voltar no tempo, para ter oportunidade de dizer a ela o eu te amo que eu nunca consegui expressar, de poder mostrar a ela a mulher de fibra que me tornei, de poder deitar no seu colo e me permitir ser fraca e chorar.
E ouvir dela uma frase que ela sempre dizia: Uma mulher só pode sofrer por três dias. No primeiro se desesperar e chorar muito, no segundo convalescer e enxugar as lágrimas e no terceiro se recuperar e ir em frente.
Obrigada, e sua benção, vovó Ignez!
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