quinta-feira, junho 14, 2018

SUPERSTIÇÃO OU CAPTAÇÃO DE TURISMO?



Depois dizem que nós, brasileiros, somos supersticiosos. Mas, eu digo:
Italianos são hiper supersticiosos...ou não rsrsrs!
Escrevendo depois de ter passado só 16 dias por lá, consigo lembrar de cara de seis vezes que ouvi a palavra superstição.

No primeiro dia, em Roma, fui a Fontana di Trevi e entrei de cabeça na crença de que se jogar uma moeda na fonte você volta a cidade e ainda arruma um namorado italiano. Fechei até os olhos, virei de costas e pedi baixinho. Quero metade da minha moeda de 01 euro de volta...retornar a esse lugar eu quero, mas um romano só se for educadinho rsrsrs
Depois desse dia foram incontáveis as histórias de crenças e convicções.

Por exemplo, em Milão é preciso dar uma volta em um touro pintado no chão de uma galeria de lojas caras para se ganhar muito dinheiro. E muita gente faz isso! Eu só descobri o que era aquela dança indígena quando já estava longe de Milão e uma amiga me perguntou no Facebook:
Deu a volta no touro?

Em Veneza a crença é baseada em uma história triste. Na entrada da Piazza San Marco existem dois grandes pilares e quem é veneziano não passa entre os dois. Dão a volta e passam por fora. Isso se deve a que entre os pilares era montada a guilhotina e a forca com que sacrificavam os condenados. Se você pensar que para pegar a lancha para entrar e sair de Veneza você passa sempre por ali, olha só que pesado isso...

Já em Florença a história tem a ver com um porco do mato...rsrs
Todos tem que passar a mão no focinho da estátua do bicho se quiserem ser bem sucedidos nos negócios que envolvem dinheiro. Isso se explica porque nessa praça os banqueiros da época feudal e depois quando surgiu o mercantilismo se reuniam para fazer negócios com seus produtos.
Por via das dúvidas esfreguei com vontade o nariz achatado.
E por conta dessa história, me vem na cabeça uma outra engraçada. Nesse dia, em Florença, eu e um casal amigo almoçamos no Mercado Central e depois queríamos comprar bolsa em uma feira que fica nessa praça. Mas, nos perdemos e cadê que conseguíamos.
Parei junto de uma senhora e disse no melhor italiano com libras:
Per favore, a piazza de....de...de...e esfreguei o nariz de cima pra baixo. Ela riu e me mostrou o caminho. Mas é tudo bem parecido nas ruas de lá e mais adiante foi a vez do Orlando parar em uma banca de jornal e esfregar o nariz igual ao que fazem na estátua...e lá fomos nós e não é que de nariz em nariz chegamos no local certo...rsrsrs

Em Verona, quem não sabe da crença imortalizada no filme “Cartas para Julieta”? Dessa vez não fiz porque todo mundo faz.
Tomada por uma emoção imensa em estar no cenário da mais linda história de amor de todos os tempos, eu fiz porque foi mais forte do que qualquer racionalidade que possa haver. Me afastei dos outros, parei ali na passagem onde ficam os muros, pedi baixinho que um dia alguém me ame do mesmo modo que eu ame esse alguém. Procurei um papelzinho branco no fundo da bolsa e escrevi meu nome, colando no muro com o que tinha...um band-aid. Vai que dá certo e na próxima vida isso acontece?! 

E finalmente a superstição mais sem noção que vi. Em frente à casa em que morou Julieta, embaixo do seu balcão tão lindo, existe uma estátua dela em bronze. Não é que algum bobão (homem, é claro) inventou que quem passasse a mão nos seios de Julieta teria sorte no amor. Pode ser mais sem pé e sem cabeça? Romeu e Julieta protagonizaram a mais linda e triste história entre dois seres que se amam. Erotizaram Julieta...e a turistada toda tirando foto com a mão no peito do símbolo máximo do amor pode isso?!

Por certo, essas superstições tem uma forte tendência de servirem para agradar turistas secos por fotos e novidades, mas no fundo, quem seria capaz de duvidar completamente, de tudo?!
E aproveitando que estamos na Europa, lembremos de um dito espanhol:
Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!

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