Meus detalhes, minhas loucuras, meus sonhos, pequenas lembranças, grandes recordações, apenas textos imaginários ou não. É assim que vou costurando meus retalhos de momentos no grande tecido que se chama: Vida!
quarta-feira, junho 06, 2018
DE IGREJAS, PODER E INTERPRETAÇÕES
Percorrer a Itália é encontrar inúmeras igrejas.
Para terem uma ideia...Em uma aldeia encravada entre a montanha e o mar, moram 18 habitantes e lá existem 5 igrejas.
Existem, também, os templos pagãos de antes de Cristo, em ruínas e preservados sem modificações. Em Roma tem vários. Nenhum me disse nada em termo de vibração.
Nesses 16 dias entrei e sai de igrejas, catedrais, basílicas, batistérios e ouvi histórias e mais histórias.
Os romanos, os galícios, os mesopotâmios e suas brigas, conquistas e feitos. Sempre com um único objetivo, o poder.
Exatamente aí, entra a Igreja. Era na Igreja que os reis, as dinastias, os ducados mostravam a sua força. Cada qual queria a construção mais majestosa e imponente. Só da família Médici de Florença, saíram 4 papas. Eram as fortunas que pagavam a obra e depois colocavam lá o seu representante. Era sinal de poder. E quantas atrocidades foram cometidas em nome da manutenção desse poder.
Fui a Igreja onde está o corpo de Santo Antônio, onde a cabeça do evangelista Lucas está guardada, fui a uma que dizem ter o corpo de Pedro e por aí vai. Todas cobertas de ouro. Todas do mais fino mármore. Todas com vitrais enormes. Todas trabalhadas por grandes artistas da época. Todas se afirmando cristãs.
Mas foi somente em Assis, que senti Cristo presente.
Uma igreja como as outras. Tem lojinha para que os fiéis levem suas lembranças. Tem um museu de relíquias com as roupas de Francisco, com a taça com a qual ele celebrava as missas. Com suas sandálias surradas. Com cartas escritas por ele.
Mas, principalmente, nessa igreja, tem a humildade palpável e vibrante ensinada por Cristo e seguida por São Francisco. Não tem ouro, nem grandes esculturas. Tem detalhes e entalhes em madeira e seu teto é pintado com as telas renascentistas da época.
Assis é um lugar de uma energia tamanha que só indo, não tem como explicar.
É um cantinho da Itália pra lá de lindo, em uma colina de onde se enxerga uma vastidão de verde, flores, plantações.
Além da Igreja, existe a escola para Franciscanos e também é aí que está a Igreja (que não consegui visitar porque a distância não cabia no meu tempo) de Santa Clara.
Em Assis, tive a bênção de um Franciscano, em italiano (que inexplicavelmente entendi) e com água benta no final. Bênção pra mim, para a minha família que conectei em pensamento e nas lembranças que trouxe de lá.
Em Assis eu tive vontade de fugir do ônibus para onde eu teria que voltar em 2 horas, me esconder, ficar lá dois ou três dias.
É claro que a Duomo de Milão, ou a Catedral de Florença me impactaram. Como tudo que é grandioso.
Mas Assis me emocionou. Chorei muito e sai de lá com minha fé renovada.
Quem sabe foi essa emoção que me impediu de ir ao Vaticano. Museu do Vaticano. Capela Sistina. O luxo não cabia mais nem nos meus olhos e nem no meu coração.
Ah...o que eu queria mesmo era ficar um pouco mais em Assis.
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