quarta-feira, setembro 16, 2009

Night and Day...forever!


Sábado passado foi a última noite de funcionamento de uma das mais tradicionais casas noturnas do centro do Rio, o Night and Day.
O motivo não foi divulgado oficialmente, mas o que foi dito por funcionários é que a casa faliu.
Uma grande festa foi organizada para a despedida e frequentadores habituais misturaram-se a quem não ia muito ou a quem só teve relação com a casa nos últimos tempos. O lugar estava superlotado, não havia espaço nem para andar, nem para dançar, mas apesar do calor, de não ter bebida no bar, da fila enorme no banheiro, do tumulto para pagar...foi uma noite divertida e sem a amargura das despedidas.

Costumo dizer que lugares valem pelas lembranças que trazem. No caso no N&D a minha história recente se mistura a música, as pessoas, aos fatos que ouvi, conheci e que aconteceram por lá.
A primeira vez que fui ao Night and Day foi para encontrar o Marcelo. Não conhecia praticamente ninguém da festa que estava acontecendo lá, mas estava ansiosa pelo que iria acontecer. Acredito que nada acontece por acaso, portanto não foi por acaso que na fila da entrada esbarrei com uma mulher de cabelos cacheados que sorriu pra mim e com quem conversei e dividi um maço de cigarros. O nome dela era Vera e entramos juntas na boate. Mais adiante volto a falar nela.

Não sei se é por causa da importância que teve a entrada do Marcelo na minha vida, mas o fato é que lembro dessa noite com uma impressionante riqueza de detalhes. Das nossas roupas até as palavras que dissemos, a música que tocava, a bebida que tomamos e as pessoas as quais fui apresentada, nada foi esquecido por mim. Também foi essa noite que ouvi pela primeira vez a música que se tornou a melhor identificação quando lembro do Marcelo que conheci; Love Generation. Durante o namoro voltamos lá algumas vezes, sempre em festas de aniversário de amigos, mais dele do que meus. Eu fui feliz, muito feliz nesse lugar.

O tempo passou, o namoro acabou, e foi no N&D que enfrentei o fato de que estava sozinha. Foi difícil, mas necessário. Eu precisava reagir a imensa vontade de não ver ninguém, não falar com ninguém, de ficar imóvel e no escuro. Se eu não fosse aquela noite, com tudo ainda tão recente, não iria mais. E eu fui, era uma festa a fantasia para comemorar o aniversário da Vera, aquela mesma que eu falei lá em cima.
Naquela primeira noite sem ele, enfrentei com um sorriso a curiosidade, a ironia e até mesmo a maldade das perguntas que me fizeram. Talvez sem a ajuda da Luciana e da Marcinha eu não tivesse conseguido, mas o fato é que nessa noite eu dancei, sorri e nunca mais parei de fazer isso.
Os dias foram passando, os meses, os anos, e uma infinidade de festas foram realizadas no N&D. Algumas maravilhosas, outras nem tanto e uma um desastre que eu faço questão de esquecer.

Tirei tantas fotos no N&D nesses três últimos anos que durante a semana que passou a Eliane, promoter da casa, pediu que eu fizesse um filme para passar no telão da festa de despedida. Eu fiz e foi uma pena que o computador não conseguiu jogar as imagens no telão.
Durante todo esse tempo ouvi muitas críticas ao lugar. Que estava ultrapassado, que era frequentado sempre pelas mesmas pessoas, que os homens eram quase em sua totalidade vulgares, que era lugar de mulheres a toa. Eu nunca consegui pensar dessa forma. Ia lá para dançar e dançava muito porque o som e o tipo de música era exatamente o que eu gostava, mal olhava para os tais homens desconhecidos porque acho que dificilmente se encontra alguém na noite que valha a pena, as mulheres não eram problema meu e, portanto que fizessem o que quisessem.

Das festas guardei as que são inesquecíveis. A festa a fantasia do Tuty em que fiz uma dupla com a Sil vestidas de Tropa de Elite, a nossa entrada apitando e parando a pista de dança foi um espetáculo. A minha festa de aniversário de 2008 junto com a Eliane, com o N&D todo enfeitado e com tantos amigos presentes. A festa country da Denise em que havia um touro mecânico montado dentro da boate.

E assim foi...Vi namoros começarem, casais reatarem, brigarem. Vi gente se envolvendo por uma noite só e quem se envolveu e continua envolvido. E sábado vi o final de todas as histórias que eram escritas lá. Despedi-me das paredes, das pilastras, do passado gostoso, do presente às vezes triste, do som, da caipivodka feita pelo barman baixinho, do bolo sempre igual, do espumante na hora dos parabéns, dos homens vulgares, das mulheres esquisitas, das festas dos amigos, do corpo incansável, da volta pra casa sob as luzes do Aterro. Vera virou Verinha e minha amiga que esteve comigo na despedida de sábado, Luciana virou Lu e cansou dos flash backs, Marcinha engrenou no namoro e ficou distante da noite.

O Night and Day acabou, mas que bom que existiu na minha melhor história! E para terminar esse texto nada melhor do que fechar os olhos e ouvir a Lu cantando aquela música só para me perturbar: pam......param pampamram pam ...

2 comentários:

Marcinha disse...

Perfeito, amiga! Queria falar mais um tiquinho mas agora não dá...

No limite do salto disse...

Ai ai amiga, só vc mesmo para captar tantos detalhes e tanta emoções suas e de outras pessoas, desconhecidas, queridas, etc...Parabéns como sempre! E que bom que ficaram muitas lembranças boas! Beijão!!! Jacq