terça-feira, setembro 08, 2009

Divagações


Não era um dia normal...
Percebi no momento que abri os olhos e um cheiro de manhã impregnou meus sentidos. Um despertar preguiçoso, os cabelos ainda espalhados no travesseiro, a luz do sol entrando por uma fresta entre a cortina e a janela. Em contato com o chão frio os pés avisam ao corpo que é hora de abandonar os sonhos e entrar novamente na realidade.

Na janela o Cristo estende os braços num abraço único e a paz invade meu olhar já desperto. O café espalha seu aroma no ar, repõe forças, impele a caminhada.
As pessoas na rua são pinturas multicoloridas num incessante vai e vem. Grandes sorrisos, andar ritmado, sem pressa.

O mar que antes batia suas ondas encrespadas contra a areia branca, hoje apenas a lambia de espuma numa carícia sensual e sorrateira.
Deixo que o vento envolva meu corpo e arrepie minha pele na tentativa de me sentir parte integrante desse mistério.

Meu pensamento vagueia sem amarras e caminho com passos que parecem dança, sem lugar definido para onde queira ir. Existe música no meu subconsciente, acordes na minha alma. Ecoa dentro de mim a voz que canta aquela linda canção.
Há uma calma nas minhas veias, uma euforia em meu peito, uma ausência de problemas em minha mente. Sorrio sem graça ao notar que do outro lado da rua um homem me olha curioso. Abaixo os olhos temendo que ele adivinhe a intensidade diferente desse dia, que perceba a vulnerabilidade dos meus sentimentos.

Já em casa, o cheiro de lavanda no lençol recém trocado age como um chamado irreverente seduzindo meu corpo. Sem cansaço e com os cabelos molhados pelo banho já tomado, recosto, fecho os olhos e num momento de descuido de todos os sentidos adormeço sem culpa, sem medo, sem vazio. Porque é em dias assim, que fogem a normalidade e ao linear e rotineiro, que eu me sinto mais perto do que se pode chamar: felicidade...


By Inez Sodré - 07/09/2009
Foto: By Paulo Casada

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