domingo, julho 29, 2018

FRAGILIDADES


Eu tinha uns dez anos quando meus tios voltaram da Europa e entre os tesouros que trouxeram estava um par de lindos palhacinhos de Murano.
Dois palmos e meio de altura e muito colorido nas roupas, nos sapatos, nos cabelos na cara sorridente de palhaço. Foram colocados em cima do móvel da sala, cada um de um lado do relógio.
Fiquei encantada, mas não podíamos nem chegar perto.
É frágil! Quebra à toa! Você é muito desastrada! Se fosse bailarina ia pisar no pé do maestro! E por aí vai...


A verdade é que hoje, cinquenta anos depois, os dois palhacinhos ainda estão lá em cima do móvel. Com alguns pedaços faltando, outros colados, mas estão lá!


Com toda essa história, eu indo a uma fábrica de cristais de Murano, alguém adivinha qual a primeira coisa que quis comprar?
Claro que comprei. Mas também compreendi o porque de tanto cuidado.
São muito, muito caros os Cristais de Murano. São artesanais, feitos com sopros no vidro incandescente, com cuidado e presteza no corte, com arte na mistura de textura, cores e materiais de acabamento.
São tão caros que vem com certificado de autenticidade. Porque os chineses já estão falsificando até os palhaços de Murano...rs


Não tive bala na agulha para comprar do mesmo tamanho e muito menos dois.
O meu tem um palmo de altura e parece que vai quebrar só de você tocar nele. Coloquei na cristaleira em nome de ser mesmo, como meu tio dizia, desastrada demais.


Ainda trouxe de lá dois chames para a pulseira Pandora, um meu e outro da minha nora.
Além disso trouxe dois enfeites de Papai Noel para a primeira árvore de Natal da Julinha.
Foi quando comprei esses enfeites que fiz valer a fama.
A vendedora (italiana simpática oh!) Me mandou pegar o que eu queria levar. O primeiro coloquei em cima do balcão, o segundo tentei...
Esbarrei a mão no primeiro e paf...quebrou. Fiquei até pálida e a moça na mesma hora pegou o minúsculo enfeite, disse que eu não ficasse aborrecida (EU?), que os cristais eram assim frágeis mesmo, mas cautelosa foi ela mesma pegar outro para embalar.


A embalagem é uma obra de arte, caixa com palha, plástico bolha, jornal e embrulho.

Fiquei o resto do dia tensa...bem tensa....com meus tesouros em uma sacolinha.
Finalmente no hotel, tomei a decisão de comprar uma bolsa de mão para colocar tudo que fosse quebrável e levar comigo no avião. Foi nessa hora que decidi não trazer nenhum vinho...Vai, que...rs


Tanto cuidado valeu a pena!
Tenho hoje, na cristaleira, um palhacinho colorido, italiano, de cristal e de Murano.
E mais do que a paixão que "garrei" nele...sei porque comprei...para homenagear o meu amado tio Macahyba. 


Onde ele está, deve pensar assim: Muito lindo Maria Inez, mas cuidado pra não quebrar!!!

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