
Sou atriz, sempre fui. Nasci com esse diferencial e cresci com o sonho de representar, de viver múltiplos personagens, de levar para a ficção esse dom.
Não convivo com sonhos. Não me atenho a imaginar, a sonhar simplesmente. Vou de encontro a eles. Então, com mais de 40 anos, num momento em que a acomodação já tomou conta da maioria das mulheres da minha geração, entrei para um grupo de teatro amador. Foi a idade em que me senti livre para tentar. A realização desse sonho veio a mim em forma de uma oficina de teatro dentro da minha faculdade.
Cheguei tímida para fazer a inscrição. E sai de lá me sentindo como se flutuasse na expectativa.
Durante o curso eu nem poderia imaginar o que aconteceria depois. Quando foi proposta uma montagem para encerramento, fiquei a parte, esperando que parte iria me caber dentro desse planejamento.
Fizemos tudo em grupo, a escolha da peça (O auto da Compadecida), como arrumar recursos dentro da própria Universidade, a iniciativa de criar uma Cia de Teatro para que pudéssemos ultrapassar os limites do teatro universitário (Cia de Teatro Mário Lago). E o projeto foi adiante.
Quando dei por mim, estava sentada no teatro, texto na mão, pensando em fazer um teste para ser Nossa Senhora. Afinal de olhos claros, essa cara meio que de santa, a mais velha do grupo...tinha tudo pra ser assim.
Mas desde quando comigo as coisas são como devem ser? O diretor me chamou num canto e me perguntou se eu toparia um grande desafio. Na hora disse que sim, sem saber ao menos do que ele falava. E cinco minutos depois estava no meio do palco, sozinha, lendo pela primeira vez as falas iniciais de um dos personagens principais. João Grilo.
Foram mais de duzentas páginas para decorar, precisei aprender o gestual masculino e parar de rebolar ao andar, parar de gesticular com suavidade, parar de sorrir com feminilidade e até mesmo aprender a coçar o saco....rsrsrsrsrs Isso foi o melhor de fazer, eu sempre tive curiosidade de saber o prazer que os homens tem em fazer tal coisa...e não é que ao imaginar que eu tinha um, sentia até alívio ao coça-lo!
Depois de sete meses de exaustivos ensaios, de ficar todos os finais de semana confinada dentro da Estácio num teatro improvisado dentro de uma academia de ginástica abandonada e de ter cada um dos componentes do grupo como a minha família.....estreamos!
O teatro do SESC da Tijuca ficou pequeno para nossos amigos, família, convidados, e até imprensa. Faltando dez minutos para começar, atrás das cortinas, de mãos dados, coração aos pulos, me dei conta de que saia da minha realidade e entrava no meu sonho.
Quando a cortina abriu não senti medo, não tive nenhum traço de timidez, não precisei recorrer aos truques para não esquecer o texto ou para não engasgar, tossir ou respirar mal. Foi tudo muito natural. Mais de duas horas, com apenas uma saída de cinco minutos do palco.
E foi desse jeito por quase um ano. Andamos por vários teatros: Antonio Fagundes na Barra; CC Estácio de Sá na Barra; Gláucio Gil em Copacabana; América na Tijuca e uma incrível apresentação no João Caetano lotado alem de irmos para o interior do Rio também.
Uma experiência única e maravilhosa. O que aprendi com o Kleber, meu parceiro, meu Xicó, meu amigo nunca terei como pagar. O que aprendi de relacionamento humano dentro de uma convivência tão intima quanto a que o grupo teve, valeu e vale muito na minha vida. Foi ali, vivendo teatro, respirando teatro que soltei minhas amarras, que modifiquei minha vida.
Durante esse tempo, me separei, me formei, tomei as rédeas da minha vida, troquei de emprego e voltei, a saber, o que era namorar. Foi domando a atriz que soltei a mulher. E nunca mais depois disso fui a mesma pessoa. Precisei parar, temporariamente, para estudar e iniciar uma nova carreira, mas não tenho a menor dúvida, qualquer dia desses, eu volto!
Com esse post eu quero prestar uma homenagem a essas pessoas que eu nem sei se sabem o quanto são importantes na minha vida:
Kleber - Chicó
Vivian - A Mulher do Padeiro
Fabiane - A Compadecida
Bruno - Jesus Cristo
Otávio - Severino
Renato/ Hector - Padeiro
João Pedro/ Monnerat - Padre João
Barbosa - Sacristão
Tarso - Bispo
Rodrigo - Antonio Moraes e Encourado
Marcio - Palhaço
José Milton - Demônio
Viviane/Alex/Lucas - Cangaceiro
Direção : Alex Castellar
Coreógrafa: Katia (ela conseguiu me fazer dançar!!!! )
Som: Pedro Paulo
Cada um deles, a sua maneira, deixou um pedacinho de amor e carinho dentro de mim. Obrigada!!!!
Não convivo com sonhos. Não me atenho a imaginar, a sonhar simplesmente. Vou de encontro a eles. Então, com mais de 40 anos, num momento em que a acomodação já tomou conta da maioria das mulheres da minha geração, entrei para um grupo de teatro amador. Foi a idade em que me senti livre para tentar. A realização desse sonho veio a mim em forma de uma oficina de teatro dentro da minha faculdade.
Cheguei tímida para fazer a inscrição. E sai de lá me sentindo como se flutuasse na expectativa.
Durante o curso eu nem poderia imaginar o que aconteceria depois. Quando foi proposta uma montagem para encerramento, fiquei a parte, esperando que parte iria me caber dentro desse planejamento.
Fizemos tudo em grupo, a escolha da peça (O auto da Compadecida), como arrumar recursos dentro da própria Universidade, a iniciativa de criar uma Cia de Teatro para que pudéssemos ultrapassar os limites do teatro universitário (Cia de Teatro Mário Lago). E o projeto foi adiante.
Quando dei por mim, estava sentada no teatro, texto na mão, pensando em fazer um teste para ser Nossa Senhora. Afinal de olhos claros, essa cara meio que de santa, a mais velha do grupo...tinha tudo pra ser assim.
Mas desde quando comigo as coisas são como devem ser? O diretor me chamou num canto e me perguntou se eu toparia um grande desafio. Na hora disse que sim, sem saber ao menos do que ele falava. E cinco minutos depois estava no meio do palco, sozinha, lendo pela primeira vez as falas iniciais de um dos personagens principais. João Grilo.
Foram mais de duzentas páginas para decorar, precisei aprender o gestual masculino e parar de rebolar ao andar, parar de gesticular com suavidade, parar de sorrir com feminilidade e até mesmo aprender a coçar o saco....rsrsrsrsrs Isso foi o melhor de fazer, eu sempre tive curiosidade de saber o prazer que os homens tem em fazer tal coisa...e não é que ao imaginar que eu tinha um, sentia até alívio ao coça-lo!
Depois de sete meses de exaustivos ensaios, de ficar todos os finais de semana confinada dentro da Estácio num teatro improvisado dentro de uma academia de ginástica abandonada e de ter cada um dos componentes do grupo como a minha família.....estreamos!
O teatro do SESC da Tijuca ficou pequeno para nossos amigos, família, convidados, e até imprensa. Faltando dez minutos para começar, atrás das cortinas, de mãos dados, coração aos pulos, me dei conta de que saia da minha realidade e entrava no meu sonho.
Quando a cortina abriu não senti medo, não tive nenhum traço de timidez, não precisei recorrer aos truques para não esquecer o texto ou para não engasgar, tossir ou respirar mal. Foi tudo muito natural. Mais de duas horas, com apenas uma saída de cinco minutos do palco.
E foi desse jeito por quase um ano. Andamos por vários teatros: Antonio Fagundes na Barra; CC Estácio de Sá na Barra; Gláucio Gil em Copacabana; América na Tijuca e uma incrível apresentação no João Caetano lotado alem de irmos para o interior do Rio também.
Uma experiência única e maravilhosa. O que aprendi com o Kleber, meu parceiro, meu Xicó, meu amigo nunca terei como pagar. O que aprendi de relacionamento humano dentro de uma convivência tão intima quanto a que o grupo teve, valeu e vale muito na minha vida. Foi ali, vivendo teatro, respirando teatro que soltei minhas amarras, que modifiquei minha vida.
Durante esse tempo, me separei, me formei, tomei as rédeas da minha vida, troquei de emprego e voltei, a saber, o que era namorar. Foi domando a atriz que soltei a mulher. E nunca mais depois disso fui a mesma pessoa. Precisei parar, temporariamente, para estudar e iniciar uma nova carreira, mas não tenho a menor dúvida, qualquer dia desses, eu volto!
Com esse post eu quero prestar uma homenagem a essas pessoas que eu nem sei se sabem o quanto são importantes na minha vida:
Kleber - Chicó
Vivian - A Mulher do Padeiro
Fabiane - A Compadecida
Bruno - Jesus Cristo
Otávio - Severino
Renato/ Hector - Padeiro
João Pedro/ Monnerat - Padre João
Barbosa - Sacristão
Tarso - Bispo
Rodrigo - Antonio Moraes e Encourado
Marcio - Palhaço
José Milton - Demônio
Viviane/Alex/Lucas - Cangaceiro
Direção : Alex Castellar
Coreógrafa: Katia (ela conseguiu me fazer dançar!!!! )
Som: Pedro Paulo
Cada um deles, a sua maneira, deixou um pedacinho de amor e carinho dentro de mim. Obrigada!!!!
Um comentário:
Uauuu... me surpreendendo a cada dia! Nos conhecemos há tão pouco tempo, tenho mto a saber de ti ainda. Eu já tive muita vontade de fazer um curso de teatro também, não por ser uma atriz, mas para ter mais conxciência do meu corpo e vencer alguns traços de timidez.
Muito legal vc ser atriz!
Adorei saber mais um pouquinho...
Beijos,
Luly.
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