Na época em que fiz quinze anos toda menina queria uma grande festa. Com direito a valsa, a estudantes do colégio militar, a música ao vivo. Eu não. Eu queria ir a Disneylândia. E convenci a minha avó a trocar a festa pela viagem.
Na época só uma agência de viagem fazia grupos para levar aos EUA. A agência da Vovó Estela. E minha viagem começou a ser paga em dez prestações, eu fazia aniversário em novembro e iria no próximo ano em julho. Eu sonhava acordada...sonhava dormindo...sonhava na escola. E sonhei tanto que naquele ano, fui reprovada.
Sonho destruído. Não tive festa e nem viagem. A minha avó perdeu o dinheiro que já tinha dado, mas como castigo pela reprovação não me deixou viajar.
Sonho destruído. Não tive festa e nem viagem. A minha avó perdeu o dinheiro que já tinha dado, mas como castigo pela reprovação não me deixou viajar.
Durante muito tempo eu chorei por isso. Até que resolvi guardar na " gavetinha de nunca abrir" da memória. Os anos passaram.
Casei, tive filhos, uma luta permanente de grana.
Falava com os mais íntimos dessa viagem não concretizada com tristeza e com uma certeza tão minha que era um sonho, só de sonhar e não de viver. Até que um certo dia dos anos 90, minha prima em uma festa de Natal da empresa onde trabalhava ganhou um prêmio. Duas passagens com tudo pago para a Disneyworld ( até o nome havia mudado...). Ela correu para me contar e disse:
Se prepare, vou pagar a minha passagem e levar o Dudu e você. Vai realizar seu sonho!
Na hora fiquei doida, muito feliz. Felicidade de pular do chão e gritar. Mas no momento seguinte, um sentimento foi mais forte que qualquer outro.
Se prepare, vou pagar a minha passagem e levar o Dudu e você. Vai realizar seu sonho!
Na hora fiquei doida, muito feliz. Felicidade de pular do chão e gritar. Mas no momento seguinte, um sentimento foi mais forte que qualquer outro.
Como eu podia deixar que ela levasse eu e um dos meus filhos? Como eu poderia ir e o Rodrigo não? Uma viagem que talvez eu nunca mais pudesse proporcionar a eles, não, eu não poderia fazer isso.
E nas férias de julho, lá estava eu me despedindo deles no aeroporto. Em nenhum momento me arrependi. Era como se eu estivesse indo por meio deles.
Guardei o sonho e só as vezes, quando alguém me perguntava para onde eu gostaria de viajar, eu respondia: Pra Disney!
O tempo é cruel e passa bem rápido. Os anos voaram. Os meninos cresceram. Minha prima se separou. Eu me separei. Ela se casou de novo. Dudu se formou e começou a trabalhar com ela.
O tempo é cruel e passa bem rápido. Os anos voaram. Os meninos cresceram. Minha prima se separou. Eu me separei. Ela se casou de novo. Dudu se formou e começou a trabalhar com ela.
Mas vamos logo ao final dessa história porque eu amo finais felizes.
No Natal de 2012 fui premiada. Não com uma passagem pra Disney. Mas com um pacote completo de amor e carinho.
A ideia foi do Dudu, o Rodrigo se juntou a ele nesse presente.
Esse ano peguei um avião para passar 14 dias em Orlando. Na casa da minha prima (aquela mesmo que um dia quis me levar), com amigos, com atenção, com emoção.
Depois de 40 anos me encontrei com os personagens que moravam no meu imaginário. Realizei o que tanto sonhei.
Meus filhos fizeram por mim o que um dia eu fiz por eles.
Eles me deram um dos mais lindos momentos de toda a minha vida. Sentada no chão, em frente ao castelo da Cinderela, com a música, com os príncipes e princesas, com o Pateta, o Pato Donald, a Minnie e o Mickey eu finalmente chorei...chorei todos os anos em uns minutos. Chorei de alegria, de emoção, de puro encantamento. Voltei a ser tão menina, tão criança, a ponto de viver os contos de fadas dentro da minha realidade.
Depois de 40 anos me encontrei com os personagens que moravam no meu imaginário. Realizei o que tanto sonhei.
Meus filhos fizeram por mim o que um dia eu fiz por eles.
Eles me deram um dos mais lindos momentos de toda a minha vida. Sentada no chão, em frente ao castelo da Cinderela, com a música, com os príncipes e princesas, com o Pateta, o Pato Donald, a Minnie e o Mickey eu finalmente chorei...chorei todos os anos em uns minutos. Chorei de alegria, de emoção, de puro encantamento. Voltei a ser tão menina, tão criança, a ponto de viver os contos de fadas dentro da minha realidade.
É isso...a magia dessa viagem que eu queria contar para vocês.
Inez Sodré
Janeiro de 2014

Um comentário:
Você é linda... <3
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