sexta-feira, agosto 20, 2010

Existe vida após o mestrado!



Quando finalmente escutei a palavra: Aprovada, o que senti foi um alívio imenso misturado a uma sensação de irrealidade que não deixou que eu comemorasse com a emoção que o momento merecia.

Durante dois anos alternei momentos de empolgação com um desânimo intenso. Muita leitura, muitos entraves, muitos problemas em relação ao objeto de estudo e uma crescente sensação de inutilidade, de incapacidade, de insegurança. Escolhi estudar os jovens da comunidade de Manguinhos que fazem iniciação científica na Fiocruz por ser um tema que me apaixona, por paixão mesmo. Mas, uma dissertação de mestrado, não se constrói somente com o trabalho de campo. O fato de não haver na unidade onde fiz o curso, uma linha de pesquisa sobre juventude atrapalhou bastante. O preconceito de uma pesquisadora acerca de pesquisa construída a partir de um estudo de caso aliado a antipatias pessoais, também atrapalhou de certo modo. O fato de eu trabalhar no local que eu pesquisaria foi mais um fator de dificuldade, o sumiço da coorientadora outro...

Porém nem tudo foi tão difícil. Escolhi o melhor, o único orientador adequado a minha pesquisa e ao meu jeito de ser. O Gustavo Matta foi durante todo o tempo o meu porto seguro, para onde eu podia correr quando a pressão ameaçava romper as minhas certezas, quando a vontade de desistir era sufocante ou quando eu precisa somente ver o seu sorriso e ouvir as suas palavras de encorajamento. Perdi a conta de quantas vezes chorei em sua presença e posso afirmar que ele foi fundamental para o meu sucesso. Um amigo...verdadeiramente um amigo.

O grupo focal foi o que mais gostei. Ouvir os jovens, partilhar das experiências deles, saber as histórias de vida e construir o texto com esses dados foi prazeroso e gratificante. E por ser a última coisa a fazer, marcou o início do fim. Com tudo arrumado, a parte metodológica, a parte teórica, as transcrições e o texto sobre as entrevistas e sobre o grupo focal prontos, chegou a hora das conclusões. A parte que eu assinaria a autoria de todas as afirmações que fizesse, a parte onde se soluciona a pergunta que motivou a pesquisa. E aí, travei.

De licença no trabalho para poder escrever, eu abria o computador, olhava a tela em branco e não conseguia escrever uma vírgula. Adoeci, cai de cama e chorava muito. Escrevi o primeiro texto, mandei para o Gustavo e ele devolveu dizendo que não estava bom. Escrevi o segundo, mandei e ele me ligou, disse que eu podia fazer melhor. Recomecei a choradeira, tinha a mais absoluta certeza que não ia conseguir escrever mais nada. Estava cansada de tudo aquilo. Queria pegar um avião, um ônibus, um trem...queria sumir. O tempo passando, a defesa marcada e nada. O Gustavo então resolveu que o último texto que eu havia escrito podia ser aproveitado, não estava bom, mas não tinha mais tempo.

Na véspera do prazo para a entrega, fui dormir triste, uma sensação de fracasso. E aí, aconteceu. Acordei as cinco da manhã, sentei no micro e escrevi 16 páginas. Era como uma represa transbordando, eu escrevia, escrevia, sem parar. Duas horas e meia depois o texto estava pronto. Mandei para o Gustavo e esperei. Quando meu telefone tocou no início da tarde eu sabia que era ele e o que ouvi valeu mais do que o aprovada do final:

_ Era isso que eu esperava de você. Está muito bom. Acabou.

Hoje penso nesse desfecho e agradeço ao espírito iluminado que me inspirou ou "psicografou" o final da minha dissertação.

Enfim, depois de cinco viroses em dois meses, oito quilos a mais e muitas lágrimas a menos, sou Mestre e marquei o dia da defesa com o início de mais um desafio: parei de fumar em definitivo.

E vamos em frente porque meu gosto pelo que é difícil permanece independente da Inez calma que eu gostaria de ser e não consigo...rs

Um comentário:

Unknown disse...

Inezita,

Simplesmente maravilhoso! Você foi audaciosa, persistente, guerreira... Senti muito orgulho ao compartilhar o "aprovada" com você, seus familiares e amigos.
Sempre acreditei em você, adoro a sua forma poética de escrever. Foi uma dissertação recheada de muita emoção. Parabéns!
Beijos da amiga,
Titi