sexta-feira, maio 15, 2009

Minha dose de você




Volta! Onde você vai?
Ainda não tomei minha dose diária de você!

Não tenha pressa de sair assim da minha vida. Nunca entendi despedidas de poucas palavras. O dar as costas, o não permitir avistar nem uma só das minhas lágrimas.
Não sai dessa imobilidade. Eu preciso de um olhar meu sobre você. Para a mesma foto, para as mesmas velhas recordações. Para as horas em que já não sei o que você anda fazendo. Ontem eu conseguia reconstituir teus passos, teus hábitos, teu hálito. Hoje, não mais. Preciso dessa dose de realidade.

Calma, eu não posso deixar você ir. Não completamente, não irremediavelmente.
Preciso dessa dose de você para suportar as paredes sufocantes da minha casa vazia e para enfrentar o frio que faz dentro de mim. Preciso curar a doença de te querer tanto, de sentir tanta saudade e nada poder fazer. Eu consigo viver sem você, mas eu não quero. Recuso a cura, os paliativos, o que ameniza. Penso que esse amor é parte integrante do que sou, portanto abandoná-lo é ficar perdida, sem rumo, sem direção.

Prefiro procurar a minha dose durante o dia ou durante a noite, mas preciso da minha dose de você. Devo até me desculpar com você por te olhar tanto, te amar tanto, pensar tanto em você, por você ser o dono secreto do verde dos meus olhos. Mas é que de todas as lições que tive na vida, a única que não entendi, não aprendi, é a que ensina a esquecer. Então sossega nesse canto, faz de conta que não sabe, que não sente, que não vê e permite que eu viva dessa dose única e diária de você...

By Inez Sodré - 15/05/2009

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