quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Ano novo...vida antiga.


Dessa vez é para valer. O ano realmente começou irremediavelmente. Acabaram as férias, os recessos, a pausa, o descanso...e mergulhei fundo nesse reiniciar de obrigações, trabalho, problemas.

Essa semana fiz a matrícula no mestrado e fui ponderada ao fazer isso. Foram oferecidas seis disciplinas, escolhi três com a consciência que dar conta bem de todas seria impossível. Uma bibliografia assustadora para ler em 4 meses, uma carga de trabalhos e seminários propostos que não sei de onde vou tirar tempo para realizar, mas vou fazer porque não pretendo me afastar nem um milímetro do intento de provar a mim mesma que sou capaz.

Paralelo a isso, começaram também os problemas de segurança na Fiocruz. Com o início das obras do PAC e a oferta de emprego dentro das comunidades houve a reação imediata do tráfico. O que se viu na terça-feira da semana passada foram cenas de verdadeira guerra civil entre a polícia e os bandidos. A conclusão disso foi terrível: duas balas perdidas encravadas no prédio da escola onde trabalho, funcionários impedidos de sair ou tendo que sair da instituição por uma passagem alternativa e uma colega de trabalho baleada na hora que saia. Essa semana, não havendo outra alternativa a não ser vir trabalhar, enfrentei engarrafamento causado pela polícia, pelo exército e pelas forças especiais que estão fazendo a segurança do caminhão que recruta os trabalhadores. Foi com muito medo que todas as manhãs passei pela rua e entrei no trabalho e fico pensando até que ponto isso vai, até que ponto uma pessoa agüenta a tensão de viver em constante ameaça, até quando?

Mas nem só de balas perdidas vive a violência. Essa semana também tive que conviver com o fato que nada é seguro nesse país, nem mesmo o simples fato de receber o salário no final do mês. Durante o carnaval, clonaram o cartão de pagamento do meu filho e retiram todo o dinheiro que ele iria receber. Com compromissos assumidos e contas para pagar, tive que manter a calma e orientar como ele devia proceder e arrumar um jeito de cobrir o prejuízo. É certo que ele receba de volta esse dinheiro, mas do banco recebeu a resposta que não sabem quando. É violento você viver num país, onde mesmo com os saques rastreados e filmados, com a quadrilha descoberta, se é punido com o total descaso com que problemas de simples pessoas físicas são resolvidos.

É o ano começou...e vejo-me na difícil missão de pensar positivo. Porque de nada adianta desesperar, de nada adianta sentar, chorar imóvel...temos que ir a luta. Então no momento em que posto esse texto, que na verdade como tantos outros, é na verdade um desabafo, me dou conta que daqui a pouco está na hora de ir ao centro, de elevar o pensamento até Deus e tentar na espiritualidade achar uma resposta do motivo pelo qual tantas e tantas coisas acontecem.

E vamos que vamos...porque a vida....continua.

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