
Fui muito questionada quando resolvi que nessa eleição ia ficar de fora. Resolvi anular meu voto. Integralmente, sem nem mesmo saber quem seriam os candidatos e para que cargos concorriam.
E nunca, desde os bons tempos do início da candidatura Lula, eu não me senti tão bem, tão cívica, como ao digitar 00 e confirmar. Existem explicações para essa minha decisão, poderia citar várias. Como o fato de estar descrente, de ser carioca e de viver no caos político há muitos anos. Poderia dizer que os sucessivos escândalos, os roubos descarados, a falta de vergonha dos políticos me impeliram a anulação. Mas nem foi isso....ou só isso.
Votei no Lula, desde a primeira vez que concorreu. Fui minoria, fui para a porta da Rede Globo protestar quando o Ibope manipulou o percentual de antecipação da vitória do outro candidato. Comprei estrelinha vermelha, usei adesivo no carro. E que fique claro que nunca fui PT. Eu voto em pessoas e não em partidos. Sempre estudei meus candidatos e os escolhi sem nem mesmo saber qual o partido que defendiam.
Portanto vocês imaginam como fiquei ao ver o Lula presidente...foi uma emoção sem tamanho, uma esperança, um sonho....que desmoronou logo nas primeiras medidas tomadas pelo seu governo. Lula me frustrou tratando a Educação como algo a ser privatizado, Lula me frustrou quando pressionado por alianças com outros partidos ficou engessado e sem poder cumprir minimamente suas promessas. Lula me frustrou como homem, como pessoa.
Hoje ao vê-lo dizer que Fernando Collor será um excelente senador para Alagoas, sinto que não errei anulando meu voto para presidente.
Assim como não errei não querendo escolher um candidato, entre os piores que já vi, para governar o Rio. E falo muito tranqüila como eleitora do Sergio Cabral que fui em outros anos.
Não errei não querendo escolher senador, deputado federal e estadual. É como uma seleção de candidatos a um cargo de uma empresa. Você olha os perfis e conclui que nenhum se encaixa, mas precisa de alguém e acaba escolhendo o menos pior. Não quis fazer isso esse ano.
Considero meu voto um protesto solitário. Não me engajei em campanhas a favor do voto nulo. Eu anulei meu voto de forma consciente. E quando olho os vencedores dessa eleição, penso que não me uni com um povo que é capaz de eleger um Paulo Maluf, um Clodovil, um Fernando Collor, um Frank Aguiar, mas que não tem coragem suficiente pra dizer um basta!
3 comentários:
Eu, pelos mesmos motivos que você, cheguei em frente à urna determinado a votar nulo.
Votei em todos... mas pra presidente o dedo coçou e votei no Lula.
Deixei de sair com a sensação que você teve e saí envergonhado.
Mas...
agora...
e agora? no segundo turno?
Continua nulo?
Até entendo que você vote nulo pra governador. Deveria, aliás, votar num candidato sem chance alguma, como forma mais veemente de protesto. Votar nulo é jogar fora sua cidadania, a chance de participar e mostrar que você está indignada.
Mas para presidente, não entendo... o Lula merece sim uma segunda chance que, aliás, o povo brasileiro lhe dará no dia 29. Eu vou votar em branco pra governador.
Beijo!
100% apoiada.
meu sonho é que um dia mais gente vote nulo conscientemente para provarmos que não temos frentes distintas na politica brasileira. sao todos iguais. e maus politicos.
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